Reino dos Felinos


Grandes filmes de 2011

 

Reino dos Felinos

 

Selva densa, África, principalmente fauna selvagem,sempre me impressionaram, mas a fêmea guepardo Sita me fez chorar como uma criança. Você vai para o filme esperando imagens sobre bicharada, felinos ( a última grande emoção foi com a leoa Elsa, A história de Elsa, . que emocionou o mundo, embalado pela música Oscar de John Barry, Born Free) mas o rosto de Sita, seu desespero quando 2 de seus 5 filhotes são devorados pelo seu inimigo mais traiçoeiro - hienas - são de apertar o coração e sair distribuindo carinho, palavras doces, pelo mundo. E o rosto do mais profundo desespero materno.

 

Emoções felinas: Um deslumbrante documentário sobre leões e guepardos apresenta a beleza e a violência do mundo selvagem.

 

Com cinco filhotes, a fêmea de guepardo Sita é uma versão selvagem de uma heroína de novela: a jovem batalhadora que, sozinha, tem de lutar contra um ambiente hostil para alimentar e proteger a família. A equipe comandada por Keith Scholey e Alastair Fothergill, dois experientes diretores de documentários sobre a natureza, identificou esse potencial dramático logo no início da filmagens de Reino dos Felinos (African Cats, Estados Unidos, 2011), . “Sabíamos que Sita enfrentaria uma série de desafios para proteger sua família”, disse Scholey em entrevista a VEJA. Os documentaristas ficaram dois anos seguindo os passos da fêmea de guepardo e de duas famílias de leões na reserva de Masai Mara, no Quênia, onde se preserva uma grande população de felinos (e também de zebras e antílopes, que são suas presas).

As imagens que eles registraram são das mais deslumbrantes que já se viram no gênero. Está lá toda a violência bruta da natureza – como na cena em que o leão Fang enfrenta um crocodilo - , mas também sua beleza, evidenciada pela câmera lenta que disseca cada músculo de Sita quando ela corre em uma caçada. E há também momentos de delicada intimidade, especialmente na interação das mamães-gato com suas crias. “Filmar cenas assim requer muita calma. O profissional que se dedica a esse tipo de documentário precisa de uns 5% de amor aos animais. Os outros 95% são paciência”, diz Scholey.

A equipe de filmagem fez a maior parte de seu trabalho instalada nos carros da segurança da reserva – os animais já estão acostumados à presença desses veículos. O grupo passava a noite acampado no parque, em meio à escuridão. “Nos primeiros dias, todo som que ouvíamos era assustador”, conta o diretor. Quarto lançamento (depois de Balé Vermelho, Terra e Oceanos) da Disneynature, selo da Disney dedicado a temas do mundo selvagem, Reino dos Felinos traz a marca emotiva do estúdio – as lutas entre bichos reais chegam a lembrar as batalhas entre os gatões humanizados do desenho O Rei Leão, que a Disney está relançando em 3D. Com noventa minutos de paisagens selvagens e um roteiro conduzido pela narração do ator Samuel L. Jackson, este é um filme feito para os amantes da natureza e da bicharada. Mas mesmo o mais urbano dos espectadores poderá se comover com a cena em que Sita descobre que um faminto bando de hienas (com até três vezes o peso de um guepardo, a hiena é seu maior inimigo na feroz cadeia alimentar da savana) roubou dois de seus filhotes. Ela rosna e percorre várias vezes o terreno em que os gatinhos costumavam ficar. Algo na expressão de Sita vai mudando quando ela percebe que a ausência dos dois é definitiva – e não se incorre em nenhuma antropomorfização exagerada ao dizer que esse é um retrato do mais profundo desespero materno.   





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