O Violino


 

SINOPSE   -   2005

 1- Um achado

DRAMA . De Francisco Vargas

Com Don Angel Tavira, Gerardo Taracena. Don Plutarco, seu filho Genaro e o neto Lúcio, são músicos e humildes fazendeiros, que participam da guerrilha campesina contra o governo.

 

“No principio dos tempos, os deuses fizeram a terra, o céu, o fogo, o vento e os animais. Depois criaram o homem e a mulher.

Todos viviam felizes, mas um desses deuses era malvado e colocou nos homens a inveja e a ambição. Quando os outros deuses viram isso, castigaram esse deus mau e tiraram da face da terra os homens ambiciosos. Mas ainda ficaram alguns dos homens ambiciosos que se multiplicaram cada vez mais e quiseram se apoderar de tudo. Eles enganaram os homens verdadeiros, e aos poucos foram tomando seus bens até quererem lhes tirar tudo e expulsa-los do bosque.

Os homens verdadeiros viram que não era justo e pediram ajuda aos deuses. Os deuses disseram para lutarem, que o destino deles era lutar. Mas os ambiciosos eram muito fortes e os homens verdadeiros resolveram esperar. E sua terra se encheu de escuridão e de tristeza. Depois os homens verdadeiros voltaram para lutar por suas terras e bosques, porque eram deles. Porque os avós haviam deixado para os filhos e os filhos para os filhos e é isso que nós vamos fazer. Vamos voltar quando chegarem os bons tempos e eles virão logo. Um dia você saberá”.

E esse diálogo entre Plutarco Hidalgo (violinista) e seu neto Lúcio me comoveu, em meio a densa floresta, num lugar qualquer da América Latina (tendo a lua cheia como coadjuvante os espionando).

A luta dos camponeses (no caso a guerrilha armada) pela liberdade contra os opressores fidalgos e truculentos militares, me fez escolher esse pequenino filme mexicano como meu primeiro comentário no site. Liberdade e Justiça entre os povos foi mostrado em centenas de filmes grandiosos (Spartacus, o melhor de todos com o mestre Kubrick e Um grito de liberdade com Tim Burton, outro belo exemplar), mas tão simples, atemporalidade, fotografia preto e branco para realçar a realidade, do genial Martin Boege, exclusão de cenas violentas,  poucos diálogos, comunicação com olhares. Esse é um dos melhores exemplares. O mérito é do grande cineasta mexicano, Francisco Vargas, quase no mesmo patamar de outro genial cineasta mexicano de Amores Brutos, Alexandro Gonçales. Não dá para esquecer o desempenho magnífico do tocador de violino na vida real, que nunca foi ator (foi descoberto pelo diretor quando realizava um documentário no interior do México). Deficiente físico (falta a mão direita), Don Angel Tavira.

Finalmente quase esqueci da mula que leva Plutarco pelas andanças na floresta densa.

Resumindo todas essas qualidades, mais simplicidade, explodiram de elogios, público e críticas, e lhe deram vários prêmios, melhor filme em Cannes, melhor ator, melhor amostra São Paulo e melhor filme Latino Americano em Gramado (Kikito).

Chorei com Plutarco, tocando violino. Um filme para ser descoberto, pequeno e grandioso, simples e inesquecível, que não foi bem avaliado no circuito comercial e um achado na TV paga, mais precisamente Tele cine Cult, onde Marcelo Junot,critico de cinema,faz uma bela introdução..

Olhei e olhei de novo, 110 minutos de lição de vida, luta eterna pelos direitos humanos.

A música (o violino de Plutarco) acabou, mas a luta continua.   





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