A Missao, o filme


A MISSÃO, o filme 

Uma revisao muito pessoal          

 

DIR.: RONALD JOFFÉ

COM  JEREMY IRONS E ROBERT DE NIRO

 

 A história do genocídio dos índios guaranis e missionários jesuítas ocorrido no ano de 1750, em SETE POVOS DAS MISSÕES, região onde Brasil, Paraguai e Argentina se encontram, me emocionou muito, por várias razões.

As paisagens da locação, região da Serra Nevada, as margens do rio Dom Diego na Colômbia, o esforço da equipe de filmagem em deslocar os índios Wauana da região do Choco (Colômbia) por 1600 Km de ônibus e avião, 287 índios- homens, mulheres e crianças- para atuar no filme e depois devolvê-los a sua aldeia.

Não usaram os índios guaranis por estarem descaracterizados, espalhados em pequenos núcleos.

Obs.: Os Wauana ainda preservam e são orgulhosos de sua cultura. (espero que assim se conservem)

O filme retrata muito bem a idéia dos jesuítas, que era de à partir da pureza da cultura dos índios guaranis que habitavam a então floresta, construir um paraíso, agregando a religião católica e cultura musical (formaram uma orquestra de violinos e flautas, e um coral de músicas sacras e clássicas).

Uma comunidade onde tudo era dividido por igual, onde todos trabalhavam para todos. Conseguiram, pois São Miguel (a mais próspera) e São Marcos, eram um verdadeiro sonho no meio da selva. 

 Talvez, os guaranis devessem ter sido deixados selvagens, vivendo conforme seus costumes, sua religiosidade e na completa solidão da selva.

A prosperidade atraiu a ganância de colonos e dos governos português e espanhol, pelas valiosas terras.

Soma-se a isto o descaso da igreja católica que apesar de estar ciente do maravilhoso trabalho dos jesuítas, achou por bem não se indispor com os dois governos e permitiu a destruição das Missões e a carnificina de índios e padres que se negaram a abandoná-los.

O povo Guarani se transformou num povo nômade, sem orgulho, que anda de cidade em cidade vendendo artesanato em palha e fibras de madeira, dormindo no chão de rodoviárias, bebendo e até pedindo esmolas.

O filme foi muito premiado (PALMA DE OURO EM CANNES e 8 indicações ao OSCAR) e o meu destaque fica para a belíssima fotografia, a região onde foi filmada e a trilha sonora fantástica de Ennio Morricone.

O maior motivo pelo qual o filme me emocionou tanto talvez seja pelo fato de ter vivido grande parte da vida na maravilhosa região das Missões e ter ouvido retalhos desta história, que agora se uniram. Adorei. Vale a pena conferir.

Mariane Wayhs Tech

marianetech@gmail.com

  





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