A Luz Entre Oceanos


  • 7 de nov
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  • A história de Elsa

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  • O Violino

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Por mais que ainda seja um diretor de poucos filmes, Derek Cianfrance merece atenção. Se no impactante Namorados para Sempre ele manipula com habilidade passado e presente, de forma a contar as diferentes fases de um relacionamento amoroso, em O Lugar Onde Tudo Terminamais uma vez explora variações de tempo de forma que, através de três capítulos muito bem definidos, possa apresentar um universo mais amplo envolvendo personagens díspares. Diante deste histórico, A Luz Entre Oceanos é uma surpresa. Trata-se de um filme de narrativa clássica, dramalhão por vezes carregado, tudo aquilo que o diretor não tinha apresentado até então. O que não significa que não seja bom.

A Luz Entre Oceanos - FotoA história começa acompanhando a chegada de um sisudo Michael Fassbender a uma ilhota na Austrália. Veterano da Primeira Guerra Mundial, ele carrega nos ombros o fardo do que vivenciou e, por isso, deseja apenas um lugar em paz para tocar a vida. Só que, rapidamente, conhece a radiante Isabel (Alicia Vikander, com um brilho no olhar contagiante). O contraste entre o homem entorpecido pela morte e a jovem ávida em viver logo se estabelece, potencializado pelas boas atuações do casal protagonista. Mas esta, ainda, não é a história a ser contada.

A rapidez com que se dá a apresentação dos personagens e seu quase imediato casório antecipa que há bem mais a ser apresentado. E, como em todo bom dramalhão, eles ainda irão sofrer um bocado. A via crúcis começa com o súbito aparecimento de um bote, contendo um homem morto e um bebê. Tom (Fassbender), ético como sempre, logo deseja avisar as autoridades. Isabel, abalada pelo fracasso na gravidez de duas crianças, sugere que eles assumam o bebê como seu e enterrem o morto. Ninguém precisa saber, ninguém sabe que ela abortou. Simples assim.

A Luz Entre Oceanos - FotoSeguindo a narrativa clássica, o livro escrito por M.L. Stedman logo envereda pelos caminhos da culpa e da responsabilidade, e a forma como ambos aos poucos corroem o relacionamento entre Tom e Isabel. Tal mudança fica explícita também nas atuações: se Fassbender mantém sempre um tom parecido, graças também à própria seriedade de seu personagem, é impressionante como Alicia Vikander murcha com o desenrolar do longa-metragem. Reflexo do que lhe acontece, é claro, mas também da presença de Rachel Weisz e seu semblante sofrido, roubando a cena especialmente pela dor transmitida no olhar.

Por mais que conte com boas atuações do elenco, A Luz Entre Oceanos é um filme extremamente convencional e intencionalmente datado, especialmente por um certo exagero emocional em momentos mais dramáticos. Trata-se de um estilo de cinema que já fez muito sucesso, e ainda hoje possui seus fãs, onde a ética e a postura se sobrepõem aos sentimentos, moldando-os. O que surpreende de fato é o interesse de Cianfrance em produzir um cinema tão quadrado, sem qualquer tipo de ousadia. O dedo do diretor até surge em certas movimentações de câmera em alto mar, explorando bem a paisagem ao redor da ilha, mas pouco além disto. Se por um lado até é razoável, está bem aquém do que a expectativa em torno dos nomes envolvidos produzia de antemão.