Julieta


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  • Os Cavaleiros da noite

  • Capitão Budd

  • Cromwell

  • Godzilla

  • O grito da selva

  • A história de Elsa

  • Os Implacáveis Krays

  • O Violino

  • Inferno Branco (inferno abaixo de zero)

  • Os Piratas de Capri

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Julieta (Emma Suárez/Adriana Ugarte) é uma mulher de meia idade que está prestes a se mudar de Madri para Portugal, para acompanhar seu namorado Lorenzo (Dario Grandinetti). Entretanto, um encontro fortuito na rua com Beatriz (Michelle Jenner), uma antiga amiga de sua filha Antía (Blanca Parés), faz com que Julieta repentinamente desista da mudança. Ela resolve se mudar para o antigo prédio em que vivia, também em Madri, e lá começa a escrever uma carta para a filha relembrando o passado entre as duas.

Julieta vive em Madri com sua filha Antía. Ambas sofrem em silêncio por conta da perda de Xoan, pai de Antía e marido de Julieta. Mas, quando a dor não aproxima as pessoas, ela separa. Quando Antía completa dezoito anos, ela abandona a mãe sem dar explicações. Julieta procura por ela de todas as maneiras, mas apenas descobre o quão pouco conhece sobre sua filha. JULIETA fala sobre a luta de uma mãe que vive uma incerteza. Mas fala também sobre destino, complexo de culpa e o mistério que nos leva a abandonar pessoas que amamos, a deletar pessoas de nossas vidas como se elas nunca tivessem representado nada, como se elas nunca tivessem existido.

Elenco

Adriana Ugarte, Rossy de Palma, Inma Cuesta, Michelle Jenner, Darío Grandinetti, Emma Suárez, Daniel Grao, Nathalie Poza

Roteiro

Pedro Almodóvar

Produção

Agustín Almodóvar, Pedro Almodóvar, Esther García

Direção

Pedro Almodóvar

Sinopse: Julieta – Julieta (Emma Suárez/Adriana Ugarte) é uma mulher de meia idade que está prestes a se mudar de Madri para Portugal, para acompanhar seu namorado Lorenzo (Dario Grandinetti). Entretanto, um encontro fortuito na rua com Beatriz (Michelle Jenner), uma antiga amiga de sua filha Antía (Blanca Parés), faz com que Julieta repentinamente desista da mudança. Ela resolve se mudar para o antigo prédio em que vivia, também em Madri, e lá começa a escrever uma carta para a filha relembrando o passado entre as duas.

Em Julieta temos um trabalho de produção, produção de arte e design de produção incríveis. A trilha sonora consegue acompanhar bem o que ocorre em tela e transmitir angustia, raiva e felicidade para o espectador.

Na realidade, toda a parte técnica do filme é impecável. A fotografia merece destaque e as locações escolhidas para rodar o filme são maravilhosas e trazem bastante bagagem para o que ocorre em cada cena. O filme também conta com um elenco muito bom, destacando, claro, Adriana Ugarte que faz Julieta jovem e Emma Suárez, que interpreta Julieta mais velha. O trabalho de ambas é muito bom mostrando as dores e os amores de Julieta.

O que me decepcionou no filme, foi o roteiro. Além das falhas mais simples como excesso de narração e grandes sequencias de ação, ele se torna fraco, não justificando totalmente as ações de alguns personagens. Fica claro que o que querem é destacar o sofrimento da protagonista, a dor de ser uma mãe que sofre com o afastamento da filha, mas é um roteiro que peca por querer que a personagem sofra em diferentes momentos. O que seria o mais interessante a ser explorado, ocorre praticamente no final do filme, e se perde. por uma situação já esperada. Não existe surpresa, não existe alívio. Na realidade, pode causar raiva ao espectador.

Apesar dos problemas com o roteiro, o filme grita Almodóvar, com as cores fortes – o vermelho vibrante, do inicio ao fim se destacando em tela – e personagens femininas sempre em destaque. Para quem, assim como eu, curte o trabalho do diretor, ou, caso seja amante de cinema de arte, com toda certeza não pode perder a oportunidade de assistir o filme.

Explorando bastante seu vermelho característico, Almodóvar cria uma ambientação extremamente requintada e elegante. Se a Julieta dos anos 1980 possui características típicas da época, especialmente cabelo e roupas, a dos dias atuais mantém um tom sóbrio que, à medida que revela seu passado, torna-se mais desesperançoso. O diretor ainda revisita o velho conhecido kitsch através de um pequeno detalhe: uma breguíssima mão instalada em uma porta, para que as pessoas possam bater nela.

Julieta - FotoMuito consciente do material em mãos, o diretor consegue com habilidade conduzir o espectador por caminhos nem sempre óbvios. Neste filme Almodóvar a todo instante quebra expectativas, indicando que a história vai numa direção para, logo em seguida, desmenti-la. O melhor exemplo é a longa sequência no trem, com variações em torno de um homem já citado, mas ainda não conhecido. Além disto, traz de volta a velha amiga Rossy de Palma em um novo papel coadjuvante, bem divertido.

Com uma linda trilha sonora e uma fotografia que explora bastante a variedade de cores - repare nas roupas usadas pelas mulheres! -, Julieta é uma verdadeira aula de direção, extremamente elegante. Não se trata do melhor filme do diretor - Tudo Sobre Minha Mãe, Volver e Fale com Ela são melhores -, e talvez nem mesmo agregue novos valores à sua carreira, mas ainda assim trata-se de um belíssimo trabalho que não apenas revisita sua filmografia, mas reafirma seu talento na condução de sentimentos femininos. Destaque também para o bom trabalho de Adriana Ugarte, mais exigida emocionalmente em cena do que sua contraparte Emma Suárez.

Julieta, 20ª filme de Pedro Almodóvar,   o drama é inspirado em três contos de A Fugitiva, da escritora canadense Alice Munro, vencedora do Nobel de literatura em 2013.A trama acompanha a personagem-título em fases distintas de sua vida - marcadas por episódios trágicos. Duas atrizes vivem essa história: Adriana Ugarte, interpreta uma Julieta jovem e radiante, enquanto Emma Suárez mostra sua versão abatida e silenciosa.Silêncio, aliás, era o título inicial do filme - como um dos contos da canadense em que Almodóvar, que também assina o roteiro, se baseou. E talvez essa seja a chave para decodificar o novo trabalho do espanhol, indicado cinco vezes à Palma de Ouro, vencedor do prêmio de direção em 1999 por Tudo Sobre Minha Mãe.

Entre silêncios, presença feminina, cores e outras características de Julieta, separamos 4 motivos (três para te fazer comprar o ingresso e um que pode te fazer trocar a sessão por outro programa) para você decidir se vai conferir o longa na telona ou não.

Alguém que não conhece a carreira de Pedro Almodóvar dificilmente classificaria Julieta como um filme “contido”. A formulação visual, por exemplo, é incisiva e confere coloração pronunciada aos cenários e figurinos. Vários dos planos, especialmente nos 30 minutos iniciais, são primorosos e exibem a energia criativa do autor. A trilha de Alberto Iglesias é herrmanniana, endossando o tom de thriller da condução da trama. Há acasos trágicos e traumáticos, que moldarão a psique das personagens. A atriz Rossy de Palma entrega em Marian uma personagem de contornos enigmáticos, com um quê bruxesco.Mas a leitura em perspectiva, contextualizando a novidade à obra maior do cineasta, traz luzes e sombras, às vezes injustas, ao campo de análise. Em Julieta, talvez Almodóvar surpreenda já na escolha de amalgamar três contos de Alice Munro.





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