100 anos de Cinema em Santo Ângelo


Como o título do site sugere, estamos trazendo notícias semanalmente, principalmente filmes clássicos, filmes 3, 4, 5 estrelas, que marcaram a infância e a safra de títulos novos, baseado em revistas (capas serão anexadas às notícias), principalmente Jornal do Vídeo, Bravo, Net, Veja, Jornal Zero Hora e Estado de São Paulo.

Como não poderia ser diferente, o nosso primeiro bate papo é recordar a infância e lá vai os anos de 60 – 70, cenário Santo Ângelo, ao vivo; extinto Cinema Municipal (foto anexa), onde nas tardes de  domingo, a famosa matinê com dois filmes, e um seriado. Foi lá que conheci o Zorro, seriado, capítulos de Domingo a Domingo, com muita angustia nesses sete dias. Será que morreu nosso justiceiro? Tudo isso, misturado a troca de “gibis”, antes do filme iniciar (Cavaleiro Negro, Flecha Ligeira, Fantasma, etc.).

Era um clima que entrou fundo na personalidade, tudo isso misturado à venda de “carrapinha” (amendoim com açúcar).

Consegui com o Secretario da Cultura de Santo Ângelo, Leoveral Golzer Soares, o livro que resgata o cinema de Santo Ângelo, autor Paulo Prado Machado – 100 anos de cinema em Santo Ângelo (e-mail: paulopra@via-rs.net).

Mensalmente, junto com outros artigos (filmes de John Wayne, o campeão; Woody Allen; todos os Tarzans mais importantes; todos os Zorros; Alfred Hitchcock; os 100 melhores filmes de terror; Jerry Lewis; a voz satânica de Vincent Price), estaremos falando desse livro, começando com a nossa história, Cinema Municipal, pérola arquitetônica que foi demolido pela sede de lucros mais modernos e comerciais. Foi o 4° Cinema de Santo Ângelo inaugurado em 1941.

Lembro da estrutura do prédio, a estilização de uma bobina na esquina e a sequência para os lados do que seria a “cinta” ou o filme.

Lembro-me que, quando alguém chegava atrasado, o “lanterninha” acompanhava o caminho até uma poltrona vazia. Era comum rebentar a fita, faltar luz e aí era o momento para comprar na frente do cinema, pipocas, balas ou até de “flertar” com as meninas.

Lembro-me de Allan “Rocky” Lane, o mocinho defendendo os injustiçados, castigando os bandidos, juntamente com o ritual dos pés batendo no solo do cinema, “torcendo pro mocinho”. Aí passaram Spartacus e Varínia,  Os 10 Mandamentos, as bigas de Ben-hur, de Charton Heston.

“Pulgueiro” (incidência de pulgas), era assim chamado o Cinema Municipal, termo muito usado naqueles idos, sem sentido, referência ao cinema do “povão”.

A pérola tombou. Descaso das autoridades. Foram demolindo o cinema de dentro para fora e numa madrugada de 1984, como diz o livro de Paulo Prado, no seu maravilhoso 100 anos de Cinema em Santo Ângelo, tombou pela base de trabalho dos atores: o palco e as cadeiras.

A música que tocava antes de iniciar o filme – depois do jornal, o mesmo ritual, sempre (nas minhas lembranças de 1959 a 1967), AMAPOLA, ficou gravado para sempre, e ela nunca mais tocou, se esgotou no meio das ruínas do belíssimo patrimônio do Cinema Municipal, que viveu exatos 43 anos (1941-1984), com muita intensidade.





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