Drive


Melhores filmes de 2012 (2)

 

2 – Drive

Preparamos meses (desde sua premiação no Festival de Cannes) para assistir esse filme, um triller, muito badalado. Suspense de primeira, eletrizante, Garoto ou Driver (isto é, sem nome) motorista de dublê de cenas de ação no cinema e de noite transporta gangs, bandidos, usando seus dons de exímio motorista para praticar assaltos; o seu serviço não pode passar de 5 minutos entre o início da ação e o final, cronometrados no relógio, fixo no volante.
Fantástico, velocidade com emoção a ré? É verdade?
Filme estranho, garoto com palito no canto da boca, nas explosões de violência, ele perde o controle, sem se descontrolar.
Magnífico filme. A violência de Driver balança quando seu coração bate forte e se emociona pela sua bela vizinha Irene e seu filho Benicio.
O ator Canadense Ryan Gosling está perfeito; fala pouco e age violentamente; ferramentas pesadas, pregos, martelos para execuções são suas armas mortais.
Drive é para não esquecer e Ryan Gosling e o diretor dinamarquês, estreante em Hollywood, Nicolas Winding Refn, vão fazer história.

Revista Veja comenta:

Em Drive (Estados Unidos, 2011), um sujeito tão quieto que nem o nome dele se sabe trabalha como motorista de cenas de ação no cinema – e, nas horas vagas, dirige carros de fuga em assaltos. Ou seria o contrário? Mastigando um palito com a ponderação com que Clint Eastwood mascava uma cigarrilha em seus faroestes, o Garoto (é como os outros personagens o chamam, quando o chamam) é um virtuose do volante e um mestre intuitivo dos espaços em que os veículos se movem. Na seqüência de abertura, a polícia identifica seu carro como parte de um crime – e a presciência com que o Garoto para numa vaga, ou apaga os faróis, para iludir as patrulhas faz desta perseguição sem ação um ato de bravura cinematográfica. Tão impassível é o Garoto que não só sua primeira explosão de violência mas também todas as seguintes são um choque. Mais ainda porque, mesmo quando perde o controle , ele não se descontrola: pisoteando a cabeça de um perseguidor até despedaça-la ou ameaçando um outro com um martelo e uma bala encostada à sua testa, ele ainda assim fala baixo e não faz um único gesto desnecessário (uma das piadas subentendidas do filme adaptado do livro homônimo de James Sallis é como ele nem liga para a jaqueta de cetim cada vez mais ensangüentada: por que trocá-la, afinal?). Cálculo e precisão são as suas marcas; e as duas terão de ser reequacionadas diante do grande imponderável – uma mulher, e com um filho pequeno, ambos apelando ao seu instinto protetor.
Muito tempo atrás, antes de virar um chato, Jean-Luc Godard disse que uma garota e uma arma é tudo de que se precisa para fazer um filme. Troque-se a garota por Ryan Gosling (que dividiu com Michael Fassbender o posto de O ator de 2011), a arma por um motor V-8 e entregue-se ambos ao dinamarquês Nicolas Winding Refn, um diretor em momento tão inspirado quanto o Godard de Acossado: tem-se um filme magistral, cujo sentido está nos elementos essenciais do cinema – a luz, o enquadramento, o close e o movimento (mais a trilha atmosférica de Cliff Martinez).
Ultra-cool e estiloso, Drive é um filme para ver duas vezes. Na primeira, pela excitação: na sua paixão silenciosa e intensa pela vizinha Irene (Carey Mulligan), o Garoto tentará ajudar o marido ex-presidiário dela envolvendo-se em um golpe que irá degringolar espetacularmente. Na segunda vez, pela contemplação: Refn, antes conhecido pelo semiexperimentalismo da trilogia Pusher, faz de Drive um sonho noir, em que a luz, sempre rebatida, vem ora do sol baixo de Los Angeles, ora de néons em cores saturadas. Seus atores são um espetáculo. Oscar Isaac, uma presença tão desagradável em Sucker Punch, é aqui trágico como o ex-presidiário. Albert Brooks, no papel de um gângster que quer levar o Garoto para as pistas, foi criminosamente ignorado nas indicações do Oscar. Como, de resto, o foram o próprio filme, Refn (que ganhou a Palma de direção em Cannes) e Gosling. De todos os aspectos de Drive que convidam à contemplação, é ele o principal. Desde que apareceu como o judeu neonazista de Tolerância Zero, há mais de dez anos, esse ex-integrante do Clube do Mickey suscitou as mais arrebatadas expectativas. Demorou a encontrar os roteiros adequados a cumpri-las mas, do fim de 2010 para cá, disparou com, além de Drive, Namorados para Sempre, Amor a Toda Prova e Tudo pelo Poder. Ao contrário dos títulos com que as distribuidoras nacionais rebatizaram seus filmes, a atuação de Gosling neles nada tem de genérica: é, a cada trabalho, uma construção específica, destilada até o mínimo indispensável e a máxima potência. Cálculo e precisão são as marcas também de Gosling. Que vai muito longe, e rápido.

 





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