Vinhas da Ira


GRANDES FILMES DA MINHA VIDA

 

Grandes filmes que escolho entre os 100 maiores (mesmo após inúmeras revisões).

 

3 –  VINHAS DA IRA (THE GRAPES OF WRATH – 1940) - Nota: 9,5

 

Vinhas da Ira mereceu uma revisão e ela continua viva, cheia de questões atuais, que não se perderam no tempo. A “cuspida” de Henri Fonda, não esqueci, a retirada das terras que foram e fazem parte de suas vidas, é de apertar o coração. Não me lembro de um filme dirigido pelo mestre John Ford, que mostra tão bem o sofrimento das famílias expulsas de suas propriedades, o ambiente de depressão de 30, ganância dos poderes governamentais. O martírio da viagem de Oklahoma até a sonhada Califórnia é muito bem elaborada.

O caminhão velho, os problemas e conflitos da família, e finalmente o sonho (?) que cai por terra: só mais pobreza, mais barracos, mais poeira. A morte final da mae( ela que e em todos os sentidos, a “chefe”maravilhosa do clã e guia divina) emociona. Obrigado mestre John Ford por essa bela obra prima, eterna.

 

A seguir o comentário do livro 1001 Filmes para ver antes de morrer:

 

Poucos filmes americanos da década de 30 lidaram com o sofrimento e os transtornos da Depressão. Hollywood, em sua grande maioria, deixou que outras mídias, como o teatro, a literatura e a fotografia, documentassem o desastre nacional. O romance de John Steinbeck As vinhas da ira, publicado em 1939, foi baseado em uma pesquisa rigorosa, em que o autor seguiu famílias agricultoras desalojadas de Oklahoma na sua jornada até as lavouras da Califórnia em busca de trabalho.

Apesar das objeções dos conservadores que controlavam o estúdio, Darryl Zanuck comprou os direitos do livro para a 20th Century Fox. Ele sabia que John Ford era o homem certo para dirigir o filme, com sua sensibilidade para com o povo americano e sua história. Ford também se identificava com que há de mais doloroso no suplício da família Joad – não a pobreza aguda, mas o trauma psicológico de quem é arrancado do seu lar, jogado na estrada, desenraizado. Em uma cena memorável , a Mãe (Jane Darwell) queima os pertences que não pode levar consigo na noite anterior ao dia em que precisam abandonar a fazenda.

Para o papel de protagonista Tom Joad, Ford escalou Henry Fonda, que pouco tempo atrás havia estrelado A mocidade de Lincoln (1939) e Ao rufar dos tambores (1939), dois outros filmes sobre a história da América, também dirigidos por Ford. Dentre os outros membros da Sociedade Anônima John Ford presentes aqui estão Russell Simpson como o Pai, John Qualen como o amigo Muley e John Carradine como o pastor itinerante. E, para o posto de cinegrafista, Ford fez uma escolha inspirada. Gregg Toland capturou de forma brilhante o olhar documental das fotografias que haviam sido tiradas da tragédia por fotógrafos contratados pelo governo, como Dorothea Lange. Em nenhum momento isso fica mais patente do que na seqüência em que a família Joad chega a um acampamento de sem-terra, com a câmera detendo-se nos rostos soturnos dos ocupantes e nos barracos caindo aos pedaços em que eles vivem.

Embora As vinhas da ira não deixe de mostrar a enormidade do sofrimento dos seus protagonistas, há uma importante divergência em relação ao livro. No romance de Steinbeck, a família a princípio encontra condições mais favoráveis em um acampamento do governo, porém, no fim, se vê reduzida a salários de fome. No filme, ela chega ao mesmo acampamento mais tarde, de modo que seu progresso se dá em uma curva ascendente, marcada pela última fala da mãe: “Nós somos o povo...jamais deixaremos de existir”.

  





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