Bonnie e Clyde


GRANDES FILMES DA MINHA VIDA

Grandes filmes que escolho entre os 100 maiores (mesmo após inúmeras revisões).

 

1 – Bonnie e Clyde: Uma rajada de balas (Bonnie and Clyde-1967) – Nota: 9,5

 

Sem dúvida é o ponto máximo da minha avaliação cinematográfica. Já o vi inúmeras vezes, e sempre descubro uma nova visão dos problemas de comunicação entre as pessoas.

Ele é completo – comédia – drama – “noir” – policial – suspense  - aventura – ação, e assim por diante, além de uma trilha sonora inesquecível. A dupla central, Bonnie Parker e Clyde Barrow arrasa, os coadjuvantes, idem. Uma descoberta de talentos para o mundo. A impotência nunca tinha sido tão bem mostrada. Arthur Penn reergueu o cinema de Hollywood, que andava mal das pernas.

Aqui vai um comentário de Steven Jay Schneider e seu 1001 Filmes Para Ver Antes de Morrer:

 

A tentativa de Arthur Penn de fazer um filme sobre foras-da-lei com o mesmo estilo da nouvelle vague francesa e uma exuberância juvenil provou ser um imenso sucesso com as platéias, que apreciaram seu conteúdo anti-sistema. Os críticos também acabaram aplaudindo o esforço do diretor em infundir uma nova energia e seriedade ao cinema norte-americano. Na época de seu lançamento, entretanto, Bonnie e Clyde foi fortemente condenado por sua representação gráfica da violência. Desenvolvimentos  tecnológicos tinham tornado possível que se filmassem feridas de bala de forma mais realística e a câmera de Penn com freqüência se demora sobre os efeitos de corpos baleados e pela dor e sofrimento resultantes. Naturalmente, filmes americanos anteriores haviam se concentrado na violência, mas Bonnie e Clyde foi o primeiro produto de Hollywood a fazer com que o espectador experimentasse com intensidade o horror e até mesmo sua fascinante beleza. As primeiras críticas do filme foram, de modo geral, negativas e até condenavam a obra, mas a maré de opiniões críticas logo mudou de forma dramática, motivando algumas revistas a publicarem críticas revisionistas. Alternando com eficiência cenas de terror e realismo brutal com outras que beiram a comédia pastelão, Bonnie e Clyde é vagamente biográfico e tem um viés muito realista por conta da direção meticulosa e das locações das filmagens no Nordeste do Texas, onde a paisagem da época é reproduzida com cuidado. Com algumas incongruências históricas, acompanha as aventuras e o eventual fim trágico da dupla mais famosa de assaltantes de banco da época da Depressão, que em seu próprio tempo foram celebrados como heróis populares. Warren Beatty e Faye Dunaway cintilam como o casal criminoso, com o apoio sensacional fornecido por Gene Hackman, Estelle Parsons e Michael J. Pollard, que interpretam os outros membros da quadrilha. Depois de uma série de roubos bem-sucedidos logo no início, a quadrilha é cercada pela polícia em Iowa, onde o irmão de Clyde, Buck (Hackman), é morto e a sua esposa, Blanche (Parsons), fica cega e é capturada. Os outros três escapam da perseguição policial, mas logo Bonnie e Clyde são atraídos para uma cilada que termina com uma rajada de balas de metralhadoras e um balé mortal em câmara lenta. O tratamento que o filme dá ao sexo, particularmente à relação incomum entre o impotente Clyde e a agressiva Bonnie, também foi novidade. Ao final dos anos 60, Hollywood tinha abandonado as restrições do Código de Produção e adotado um sistema de classificação que permitia maior liberdade para retratar sexo e violência. Bonnie e Clyde foi um dos primeiros e mais bem-sucedidos filmes feitos sob o novo sistema. Recebeu 10 indicações ao Oscar e seu imenso apelo nas bilheterias colaborou para tirar os cinemas americanos do vermelho e reencontrar o lucro.

Bonnie e Clyde é uma poderosa e ambígua declaração sobre o lugar da violência e do indivíduo na sociedade americana. Na história do cinema, entretanto, sua importância é muito maior. O sucesso crítico e popular demonstrou a uma Hollywood que lutava para se reaproximar das platéias nacionais que filmes que combinavam a estilização européia e a seriedade com temas americanos tradicionais (mediados por gêneros convencionais) poderiam ter sucesso, especialmente se tivessem um ritmo ágil e cenas de ação espetaculares. Bonnie e Clyde abriu caminho para o “Renascimento de Hollywood” nos anos 70 e obras-primas como O poderoso chefão, de Francis Ford Coppola, que lisonjeiam o filme de Penn com o tributo sincero da imitação próxima.  





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